Falta pouco para as duas principais e mais duradouras revistas brasileiras de cinema terem todos os números disponíveis na internet. Com patrocínio da Petrobrás e organização da equipe de bibliotecários do Museu Lasar Segall, em São Paulo, a transferência dos 1.720 números da Scena Muda e das 561 edições da Cinearte para o universo virtual está levando pesquisadores e fãs de cinema a esfregar as mãos. O trabalho deverá chegar ao público até março do ano que vem. Nenhuma biblioteca do país tinha todos os números das publicações. A solução foi somar a coleção da Cinemateca Brasileira com a do Lasar Segall, cujo arquivo possui o maior volume de publicações sobre cinema no Brasil. A iniciativa permitirá verificar como era a cobertura cinematográfica dos anos 20 aos 50 e qual a relação de cada uma das revistas com a produção do período.
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| POR DENTRO Páginas da Scena Muda e da Cinearte, em edições dos anos 20 |
A Cinearte nasceu da decisão de transformar a coluna de cinema da revista Para Todos em uma publicação especializada no assunto. Sob o comando de Mario Behring e Ademar Gonzaga, auxiliados pelo crítico Pedro Lima, tinha a proposta de formar mentalidades cinematográficas. Dedicou sua primeira capa à atriz Norma Talmadge e durou de 1926 a 1942. A tiragem média era de 60 mil exemplares nos anos 20 - a maior de uma publicação do gênero na América do Sul. Quando a revista foi lançada, o Rio de Janeiro tinha 76 salas de exibição e 1 milhão de habitantes. Vinte anos mais tarde, a então capital do país já contava com mais de 120 salas e quase 2 milhões de moradores.
A maioria das páginas da Cinearte era dedicada ao cinema americano, a ponto de ter sido a vanguarda dos correspondentes em Hollywood. Textos sobre a vida de atores e atrizes ocupavam grande espaço. Esse perfil era idêntico ao da Scena Muda , que foi publicada de 1921 a 1955, e também dava de ombros para o cinema brasileiro. Apesar da preferência pela produção dos EUA, a Cinearte guardava uma seção de duas páginas, chamada Filmagem Brasileira, para informar sobre o que se fazia por aqui. Sua linha editorial era mais participativa. Discutia questões da atividade no Brasil, já que um dos cabeças, Ademar Gonzaga, era dono da lendária produtora Cinédia.
As duas revistas são posteriores às iniciativas editoriais que reservavam espaço significativo para o cinema. A Klaxon foi a primeira a incorporar a crítica em meio a outras questões culturais, mas também havia Cinema, A Fita, Revistas dos Cinemas, A Tela e Palcos e Telas , todas criadas no período em que a hegemonia hollywodiana foi consolidada no mundo. O cinema nacional, embora já tivesse vivido soluços de produção com ciclos regionais, era estrangeiro na própria casa. Pesquisar no banco virtual de dados os números de Cinearte e Scena Muda é um passeio pela história e pelas características, presentes até hoje, da visão dos fãs e da crítica brasileiras.
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A Scena Muda
A revista surgiu em 1921 e durou até 1955. Nesse período, publicou 170 números, sempre com predominância, quase exclusiva, da cobertura de Hollywood. Também trazia informações sobre teatro e variedades. Parte das fotos era colorida e o enfoque era centrado na vida das celebridades, seguindo o olhar dos fãs |
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Cinearte
Foi criada em 1926 e durou até 1942. Teve 561 edições, fora os especiais. Embora destacasse a cobertura de Hollywood, mantendo até correspondente, trazia duas páginas com notícias das atividades do cinema brasileiro, em parte porque um dos chefes, Ademar Gonzaga, era dono da produtora Cinédia |
Fontes:
Revista Época edição 395 (12/12/05) página 136 (Versão impressa)
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,,EPT1087045-1661,00.html (Versão do site da revista)